LGBTQIA+ NA PANDEMIA: “a crise dentro de outra crise?”

É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. A pandemia deixou todes vulneráveis, né? Mas viver ainda vale a pena!

imagem: Magui


A vivência nesse momento delicado é intenso: é vírus, instabilidade da saúde mental, a impermanência socioeconômica, EAD, família, desemprego, a falta de amparo governamental, a vulnerabilidade social.... EITA!

Os resultados dos últimos tempos têm nos mostrado reflexões difíceis acerca da interação social, ou melhor, dos efeitos que a falta da a-g-l-o-m-e-r-a-ç-ã-o tem causado em nós, pequenos indivíduos amantes do calor humano e do aconchego brasileiro.

Há pesquisas universitárias que destacam dados das vulnerabilidades LGBTQIA+ que foram desacortinadas nesta pandemia. Dados a respeito do desemprego e da depressão no último ano tiveram uma alta considerável, vez que conviver com familiares em relações conflituosas gera um maior desgaste emocional.

Outro ponto é que nós, habitantes do vale LGBTQIA+ , já vivemos em alerta em nossas rotinas por conta da sociedade defensora da cisheteronormatividade, e lidar com problemas adicionais demanda um esforço significativo, né manas!?

É através do levantamento e divulgação de informações acerca da população LGBTQIA+ que se estabelece uma forma de resistência, para afirmar ao mundo que a violência sofrida não é apenas física.


Nossa saúde mental deve ser levada a sério!

O enfrentamento familiar é pauta a ser discutida sim, e o amparo é bem-vindo de todos os lados, seja financeiro, físico, social ou emocionalmente.

Durante a pandemia, os dados sobre ansiedade, e principalmente a depressão, aumentaram significativamente: 47% das pessoas entrevistadas pela UFMG foram classificadas com um nível severo da doença.

Esse tipo de informação desperta o alerta que a pandemia agravou na sociedade de modo geral, visto que em meio às pesquisas, os relatos mais frequentes são de abandono, solidão ou a tensão em lidar com relações de conflito com familiares.

Ainda dentro das pesquisas, 36% da população LGBTQIA+ relataram desconforto ao procurar ajuda relacionada à saúde, não somente mental, pois houveram casos de tratamento diferenciado e descortês, pessoas sendo recebidas com ameaças e até mesmo discriminadas ao procurar serviços de atendimento à saúde.

Há outros indicativos que demonstram o triste avanço da marginalização e piora da saúde de pessoas da nossa comunidade, evidenciados pelo consumo excessivo de álcool e cigarros durante a pandemia.

Lidar com os dilemas da vida de maneira direta nunca é fácil, pois numa rotina tradicional tem-se responsabilidades que dispersam os pensamentos e sentimentos a respeito dos conflitos. Entretanto, diante da pandemia, todas as rotinas e hábitos precisaram ser mudados.

O objetivo destas pesquisas, estudos, e até mesmo deste texto é explanar situações reais, identificar com mais detalhes e precisão os fatores que mais desestabilizaram nossa comunidade durante a pandemia e lutar por melhorias. Relatos de depressão chegaram a dobrar dentro do vale, querides!


Engajamento político e a comunidade LGBTQIA+

E o questionamento que surge é: qual o tamanho da representatividade governamental em cada estado?

Qual o nível nacional de engajamento político nas causas envolvendo o público LGBTQIA+? Será que o posicionamento político dentro do vale só serve para arrebatar dados e votos e, logo após as eleições, tudo se desfaz?

A sociedade brasileira é muito discriminadora e ainda presa em tabus que não se aplicam mais nos contextos atuais, e a pandemia está provando todos os dias que, para coexistir no mundo, devemos ser seres adaptáveis.

Dessa forma, podemos repensar em pequenas atitudes, como por exemplo: quais pessoas estamos apoiando e quais causas estão sendo realmente engajadas para melhoria e bem estar da nossa comunidade?

Vamos salvar o vale! Ninguém solta a mão de ninguém, se recordam??

Lembrar que nem todes possuem o mesmo acesso à educação, trabalho e saúde, e que sim, é o-b-r-i-g-a-ç-ã-o do estado e direito de uma pessoa como cidadã o bem estar, saúde, educação, alimento e moradia.

Portanto, em tempos de desinformação e até omissão de dados, é importante mostrar às pessoas do vale que ninguém está só! Quando nos unimos, tudo tem outro gosto, e lidar com a realidade fora do armário se torna uma experiência muito melhor.

É abraçar uma causa. É viver livremente. A resistência é nossa, e depois de tudo isso ainda estaremos juntes!


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