Arte Independente LGBTQIA+: Por que comprar de artistas do vale?

Em 2019, a comunidade fez circular 96 bilhões de dólares só no Brasil. Mas para quem vai esse dinheiro?

Arte: Magui


Conforme o poder de compra da nossa comunidade cresce, algumas empresas encontram ali uma oportunidade de lucro. É comum ver campanhas estilizadas, com arco-íris e purpurina, divulgando novidades e ofertas de produtos. E a comunidade, em busca de algo que a ajude a expressar sua identidade, decide comprar.


A acessibilidade dos produtos com tema LGBTQIA+ em lojas de departamento, por exemplo, é o motivo principal para que as pessoas decidam adquirir itens das marcas. Mas esse barateamento não é em vão: várias dessas lojas compactuam com a exploração da força de trabalho, produzindo itens de baixa qualidade em larga escala.


Contudo, comprar em grandes lojas que não possuem uma política verdadeira de inclusão é uma decisão ruim. Isso porque, quando o conteúdo — e, consequentemente, o produto — não é criado por alguém que entende e respeita a seriedade do assunto, a força do discurso é apagada.


Como essas empresas não se importam com a raiz da luta pela diversidade, para elas, a causa LGBTQIA+ não passa de uma tendência que precisa ser aproveitada. Essa apropriação prejudica quem compra e também quem realmente tem uma arte original para mostrar.


Os desafios de ser artista LGBTQIA+


Coleções, campanhas e frases de efeito não resolvem a origem do problema. O aumento do desemprego na pandemia, que prejudicou grande parte dos brasileiros, foi ainda mais avassalador para a nossa comunidade. Desde o início do isolamento, 44,3% das pessoas LGBTQIA+ tiveram suas atividades paralisadas.


Em entrevista, o artista transgênero Igor Amirú desabafou sobre a baixa inserção das pessoas trans no mercado de trabalho:

“As coisas não estão nada fáceis. Conseguir um trabalho já é um desafio, e se manter em espaços em que você não é respeitado é o mais comum.”

Quando uma oportunidade aparece, os obstáculos persistem: “Muitos de nós são expulsos de casa, não conseguem terminar o ensino médio. O que é feito para incluir essas pessoas?”, questiona Amirú. Segundo ele, até mesmo as vagas destinadas exclusivamente à pessoas trans são limitadas por requisitos que excluem o próprio grupo.


Continuar comprando com empresas não conscientes é financiar a exclusão e discriminação das minorias. A diversidade precisa sair do papel e se aplicar na prática.


Cactus Forest (Igor Amirú)


Invista seu dinheiro em quem entende a sua luta


É por isso que a melhor alternativa é apoiar comércios locais e artistas independentes, que vivenciam a sua realidade e utilizam a arte como símbolo de resistência.


Não adianta comprar uma camisa colorida se a loja que a vendeu não aceita pessoas LGBTQIA+ como funcionárias. A gente precisa consumir o que realmente nos representa.

Arte: Magui


Ao apoiar artistas do vale, você investe no trabalho de pessoas incríveis, com projetos inovadores, e que realmente merecem a sua atenção. Além disso, uma produção independente garante que você adquira produtos de qualidade, feitos com carinho e personalidade.


O mais interessante é que, a longo prazo, comprar com pessoas da comunidade pode te beneficiar diretamente. Ao adquirir um produto, compartilhar com a galera e divulgar as artes, você dá voz a artistas e abre portas para que mais pessoas possam mostrar o que fazem!


E foi com esse objetivo que a Valejo foi criada! Trabalhamos com diversas artistas LGBTQIA+ independentes, te fazendo conhecer a pessoa por trás da arte. Vem conhecer o nosso trabalho!





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